No imaginário brasileiro, Sapucaia, uma cidade pequena do sudeste do Pará, ocupa um lugar parecido com o que Las Vegas representa para muitos nos Estados Unidos quando o tema é casamento. Com 5.847 habitantes, o município atingiu 111 casamentos por mil moradores - a maior taxa de matrimônios do Brasil.
A informação está nas Estatísticas do Registro Civil 2024, publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro de 2025. No país, a média ficou em 5,6 casamentos por mil habitantes, o que torna o resultado de Sapucaia quase 18 vezes mais alto do que o índice nacional.
O estudo do IBGE observa tanto o total de casamentos registrados quanto a taxa proporcional em relação ao tamanho da população. É justamente nesse indicador proporcional que cidades com menos habitantes tendem a aparecer em destaque.
Na outra extremidade do ranking, aparece o Piauí, com a menor taxa de nupcialidade do Brasil: 3,2 casamentos por mil habitantes.
Quando o tamanho da população muda o ranking
O recorte por números absolutos privilegia os estados mais populosos, que concentram a maior parte dos registros. São Paulo aparece na liderança com mais de 300 mil casamentos por ano, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Quando o critério passa a ser a quantidade de casamentos por mil habitantes, o quadro se altera. Rondônia assume o primeiro lugar entre os estados, com 8,9 casamentos por mil habitantes. Em seguida vêm Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins.
Na parte de baixo da lista estão Piauí, Sergipe e Rio Grande do Sul. De acordo com o levantamento, o estado gaúcho mostra um histórico de redução mais intensa nos registros de casamento.
O resultado fora da curva de Sapucaia pode estar associado a mutirões de casamentos comunitários ou a momentos em que há concentração de registros em cartório. No Pará, outro município que costuma surgir entre os destaques proporcionais é Abel Figueiredo.
O casamento acontece cada vez mais tarde
Os dados do IBGE também apontam mudanças importantes no perfil de quem oficializa a união. Hoje, 31,3% dos homens e 25,3% das mulheres se casam aos 40 anos ou mais.
Há cerca de 20 anos, essa parcela respondia por menos de 10% dos casamentos. A idade média ao casar pela primeira vez também subiu: entre os homens, passou a ficar entre 31 e 33 anos; entre as mulheres, varia de 28 a 30 anos.
Uma pesquisa do iCasei com usuários da plataforma indica um padrão semelhante. A faixa etária mais frequente entre os respondentes é de 30 a 34 anos, que corresponde a 26% da amostra.
Entre os parceiros, 25% têm entre 25 e 29 anos e 20% estão na faixa de 30 a 34 anos. Mais de 20% dos participantes se encontram entre 35 e 59 anos.
Segundo Diego Magnani, CPO do iCasei, a mudança acompanha transformações no comportamento dos casais. “O casamento deixou de ser o primeiro passo da vida adulta para ser a celebração da maturidade. Os casais chegam mais preparados, com maior clareza sobre o que querem e com uma relação mais consciente com o evento em si”, afirma.
Uniões homoafetivas seguem em expansão
O levantamento do IBGE também chama atenção para o crescimento dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo desde a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2013.
Pelos dados, esse tipo de união apresenta períodos de avanço acima de 20%, em um ritmo diferente daquele observado no casamento civil de modo geral.
São Paulo reúne quase 40% dos casamentos homoafetivos realizados no Brasil. Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecem logo depois entre os estados com maior participação.
Dentro das uniões homoafetivas, os casamentos entre mulheres representam de 55% a 60% do total registrado no país. O Centro-Oeste se destaca por registrar crescimento de 28,2% nesse grupo.
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