As vendas do Nevera não evoluíram como a Rimac imaginava. Mesmo sendo um hipercarro limitado a apenas 150 exemplares, a produção ainda não foi completamente absorvida pelo mercado.
Diante desse cenário, a empresa precisou fazer uma avaliação interna. Para Mate Rimac, CEO da Bugatti Rimac, o problema tem relação direta com a forma como as pessoas passaram a enxergar os carros elétricos.
Vendas do Rimac Nevera e a percepção sobre carros elétricos
“Começamos a desenvolver o Nevera em 2016/2017, quando os elétricos eram cool“, afirmou Mate Rimac na conferência Future of the Car, do Financial Times, em Londres (Reino Unido), citado pela Autocar.
“Os reguladores e alguns fabricantes pressionam tanto (os elétricos) que a narrativa mudou. Eles estão a impor-nos coisas que não queremos, por isso as pessoas sentem alguma repulsa por isso, por esta imposição forçada”, acrescentou.
“Eu sou sempre contra isso. Acho que tudo tem que ser baseado no mérito. Por isso o produto tem de ser melhor”, completou, também em declarações reproduzidas pela Autocar.
Vale lembrar que, quando o Nevera começou a tomar forma, a meta era exibir até onde motores elétricos e baterias poderiam chegar - uma tecnologia que, apesar dos avanços, ainda está em fase inicial. De lá para cá, a situação mudou bastante.
“Nessa altura, pensávamos que os carros elétricos seriam cool dentro de alguns anos, que seriam os melhores carros ou com a performance mais elevada (…). Agora percebemos que à medida que a eletrificação se está a tornar convencional, as pessoas no topo querem diferenciar-se”, disse.
O paralelo com relógios e o apelo analógico
Mate Rimac ainda compara carros e relógios para explicar essa mudança de desejo no topo do mercado: “um Apple Watch consegue fazer tudo melhor (face a um relógio analógico de topo). Consegue fazer mil coisas a mais, é mais preciso e até pode medir a frequência cardíaca. Mas ninguém pagaria 200 000 dólares por um Apple Watch”.
O futuro dos elétricos na Rimac
No fim das contas, Mate Rimac avalia que a demanda por hipercarros elétricos não deve voltar ao que se esperava, e que as faixas mais altas do mercado pedem forte diferenciação - além de maior atração por sensações “analógicas”.
“Acho que existe um nicho para fazer coisas que não podem ser feitas com um motor de combustão”, disse o executivo que comanda os rumos da Bugatti Rimac. “Não se trata de ser elétrico; trata-se de fazer coisas que outros carros não conseguem fazer e proporcionar uma experiência única”, afirmou.
Depois dessas declarações, vale resgatar outra fala de Mate Rimac à Autocar, feita no começo deste ano, quando afirmou: “A Rimac não é exclusivamente elétrica (…). Está a fazer o que é mais emocionante neste momento”.
A resposta está no… diesel
Na ocasião, Mate Rimac citou uma tecnologia inovadora de nanotubos de carbono alimentados por combustível líquido para substituir as baterias como as conhecemos, que hoje sofrem principalmente com baixa densidade energética e elevado peso do conjunto.
Em outras palavras, a ideia manteria um carro impulsionado por motores elétricos. O ponto de mudança é que, em vez de a energia ficar armazenada em baterias convencionais, ela seria gerada pelo superaquecimento de um combustível líquido dentro de nanotubos de carbono. Segundo Mate Rimac, o sistema poderia usar GLP, hidrogênio e até diesel.
Com diesel ou não, é difícil imaginar o futuro da Rimac baseado apenas em eletricidade. Até porque Mate Rimac já voltou a destacar a importância do toque analógico em um segmento como aquele em que o Nevera compete. Por isso, parece pouco provável que a marca croata lance um novo hipercarro movido exclusivamente por elétrons.
Fonte: Autocar
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