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DHL integra o Tesla Semi e prova que o diesel já não é intocável

Caminhão elétrico Tesla Semi branco com logotipo DHL estacionado em ambiente industrial moderno.

O diesel já não é mais intocável - e uma multinacional alemã está convencida disso. O Tesla Semi, caminhão 100% elétrico, acaba de reforçar que tem tudo para ganhar espaço em frotas de logística.

Há pouco mais de um ano, o Tesla Semi já estava em testes dentro da DHL, enquanto Elon Musk afirmava, com orgulho, que o modelo estaria disponível no ano seguinte - depois de uma arrancada de produção bem mais lenta do que o esperado. Agora, em 2025, e numa rara ocasião em que uma promessa vinda do CEO da Tesla se confirma de forma razoável, vale reconhecer: o Semi vai, de fato, para a estrada.

DHL coloca o Tesla Semi para rodar na logística dos EUA

É verdade que, por enquanto, o Tesla Semi não foi adotado em massa por centenas de empresas. Ainda assim, a DHL acaba de integrar oficialmente o seu primeiro Semi à própria operação logística nos Estados Unidos. Nada mal para um veículo que foi alvo de muitas críticas, com analistas questionando sua utilidade no mundo real. E cabe lembrar: a DHL é um dos maiores nomes globais em transporte e logística - existem poucos “palcos” melhores para um começo.

Tesla Semi: um gigante das estradas, robusto e econômico

A DHL não tomou essa decisão por impulso. Antes de fechar com a Tesla, a empresa conduziu um programa piloto longo em Livermore, na Califórnia. Ao fim dos testes, a eficiência do Semi ficou mais do que demonstrada: em um trajeto de cerca de 628 km, com peso bruto total combinado de 34 toneladas (caminhão + carga), o consumo médio foi de apenas 1,07 kWh/km, ou 107 kWh/100 km.

Consumo e promessa cumprida (e superada)

Para um caminhão dessa categoria, o resultado é impressionante - ainda mais porque, em 2017, a Tesla havia se comprometido a manter o Semi “abaixo de 2 kWh por milha” (cerca de 1,24 kWh/km). Muitos especialistas desconfiavam desses números, mas a DHL mostrou que não só era viável como o desempenho ficou bem abaixo do prometido, e ainda por cima com a carreta carregada até o teto.

Jim Monkmeyer, presidente da DHL Supply Chain North America, comemorou com entusiasmo: “Nossa fase de testes superou nossas expectativas. O Tesla Semi provou sua capacidade de transportar nossas mercadorias por longas distâncias com uma única carga. Este é um passo essencial em nossas metas de descarbonização.” Para ele, a autonomia anunciada - de até 800 quilômetros - “abre possibilidades que antes estavam fora de alcance para caminhões elétricos pesados”.

O único caminhão já incorporado à frota da DHL roda, em média, 160 km por dia e precisa ir ao carregador apenas uma vez por semana. Isso ajuda a cortar os custos operacionais de forma muito eficiente, porque, com um consumo tão baixo, o gasto de energia cai para uma média entre 12 e 15 centavos de euro por quilômetro.

Diante de um diesel equivalente, que fica entre 34 e 47 centavos, a diferença é enorme: o Semi permite economizar até 75% na conta de energia. E isso sem colocar na conta a redução de manutenção - um item pesado nas frotas a diesel - já que um motor elétrico exige bem menos idas e vindas à oficina.

Mesmo sendo mais caro para comprar (nos EUA, o Semi sai por mais de 200 000 dólares, contra 120 000 dólares em média por um caminhão diesel básico), essa diferença tende a desaparecer depois de alguns anos quando o veículo roda todos os dias.

Uma vitrine excelente para a Tesla

Para a Tesla, essa nova parceria vale ouro, já que a DHL é um dos maiores potenciais clientes do setor e pode puxar outros transportadores internacionais junto. Walmart, Costco e Sysco, inclusive, estão entre os grandes clientes que já encomendaram o caminhão. Dan Priestley, diretor do programa, diz que a empresa tem uma “experiência logística [que] ajudará a melhorar o Semi para seus mercados futuros”.

A DHL vem reduzindo o uso de diesel gradualmente há alguns anos e já opera mais de 150 caminhões elétricos pesados na América do Norte. E a intenção é ampliar esse número incorporando novos Tesla Semi já no ano que vem, quando a montadora finalmente iniciar a produção em massa.

Uma notícia excelente para a fabricante americana, depois dos muitos problemas deste ano que mancharam sua reputação (com razão, provavelmente - mas esse não é o ponto aqui). Quase oito anos após o anúncio, o Semi finalmente poderá cruzar as grandes estradas americanas, enquanto empresas de peso o observam com inveja. Um pouco como o garoto incompreendido de quem todo mundo zombava no recreio e que, alguns anos depois, volta para dar uma revanche mais do que merecida.

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