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Substituição dos F-16 na Força Aérea Portuguesa: Saab Gripen E, F-35 e Eurofighter Typhoon

Dois técnicos em uniforme azul analisam projeto de jato em tablet, com modelo e avião militar ao fundo.

Enquanto a Força Aérea Portuguesa analisa opções para substituir a atual frota de caças F-16, a sueca Saab tenta ganhar espaço com o Gripen E ao colocar na mesa uma proposta de produção local - com ênfase em uma cooperação com a empresa portuguesa OGMA. Segundo a imprensa local, as duas companhias já teriam assinado um Memorando de Entendimento para desenhar um arranjo semelhante ao estabelecido anteriormente com a Embraer (acionista majoritária da OGMA) no programa do avião escolhido pela Força Aérea Brasileira. A ideia, nesse formato, seria permitir que Lisboa envolvesse uma cadeia ampla de atores industriais nacionais ao longo do processo.

Gripen E e produção local com a OGMA

Mesmo sem um processo formal de aquisição oficialmente iniciado, representantes da Saab já afirmaram que o Gripen E seria um “produto excelente” para equipar a Força Aérea Portuguesa, destacando também que a força já conhece a confiabilidade da empresa por operar outros sistemas fabricados pela Saab. Um desses porta-vozes foi o vice-presidente de negócios do Gripen, Daniel Boestad, que disse que, embora Lisboa ainda não tenha tomado uma decisão final, a Saab está preparada para viabilizar a fabricação doméstica do caça. Nas palavras dele: “A OGMA tem grande potencial para produzir o Gripen”.

Flexibilidade de modernização como argumento central do Gripen E

Ao defender o Gripen E como opção para Portugal, Boestad enfatizou que o diferencial do modelo vai além de desempenho de voo, colocando a modernização rápida no centro do projeto. Ele afirmou: “É uma aeronave completamente diferente, uma das mais importantes e modernas. Não me refiro apenas a voar rápido ou fazer curvas rapidamente, mas à capacidade de adotar novas tecnologias (…) A velocidade da mudança, a velocidade de adaptação, é fundamental para o futuro. Esse foi o principal fator ao projetar esta aeronave. Projetamos os sistemas computacionais do Gripen de uma forma completamente diferente de outras aeronaves para implementar essas mudanças muito rapidamente.”

Na leitura da Saab, esse ponto pesa especialmente quando o Gripen E é comparado a concorrentes americanos, em particular o caça furtivo F-35. De acordo com o executivo, haveria uma diferença-chave: o cliente poderia especificar quais programas de software deseja incorporar ao caça e, em um prazo muito curto, engenheiros conseguiriam realizar os ajustes necessários para disponibilizá-los em dias - e não em meses ou anos.

Custos e incertezas sobre quantidade e configuração

Até aqui, permanece indefinido quantos caças a Força Aérea Portuguesa compraria ao final e, caso a aquisição se concretize, com quais tipos de armamentos e sistemas integrados. Nesse contexto, Boestad observou que hoje seria impossível estimar quanto Portugal precisaria investir se optasse pelo Gripen E, embora tenha citado exemplos recentes: no caso da Tailândia, vale lembrar que, em agosto de 2025, foi confirmada a compra de quatro aeronaves por aproximadamente €495 million; já o Brasil adquiriu 36 aeronaves por cerca de €3.87 billion.

A candidatura do F-35 como alternativa

Em paralelo à movimentação da Saab para promover o Gripen E como futuro caça da Força Aérea Portuguesa, a Lockheed Martin também vem defendendo o F-35, beneficiando-se de forte apoio de Washington para aumentar a pressão sobre Lisboa no momento da decisão. Como já foi noticiado, a chegada dessa plataforma seria vista de forma positiva por permitir que Portugal alinhe capacidades com diversos países europeus que a escolheram como seu caça do futuro, abrindo caminho para maior interoperabilidade e facilitando possíveis processos futuros de incorporação de uma aeronave de sexta geração.

Ainda assim, o caça furtivo americano enfrenta obstáculos já apontados por autoridades militares portuguesas, inclusive por fatores que vão além de considerações estritamente técnicas ou econômicas. Como foi reportado em dezembro passado, o General Cartaxo Alves, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, afirmou em entrevista que, caso o F-35 fosse selecionado, os prazos de entrega seriam longos, enquanto os custos de aquisição e operação seriam significativamente mais altos do que os do concorrente sueco.

Isso afetaria diretamente tanto a quantidade de aeronaves que poderia ser comprada quanto o papel operacional que elas teriam no futuro, limitando a capacidade da força de cumprir suas missões. Na entrevista, o General Alves não confirmou um número fechado, mas mencionou uma faixa entre 14 e 28 unidades, o que, segundo suas estimativas, exigiria um investimento entre €3 billion e €4.8 billion - ainda abaixo dos €5 billion que o governo estaria disposto a destinar ao programa.

Um terceiro concorrente: o Eurofighter Typhoon

Além do que parecem ser as candidaturas mais fortes do Gripen e do F-35, Portugal também considera a possibilidade de adquirir um terceiro modelo: o Eurofighter Typhoon promovido pela Airbus. No fim de outubro do ano passado, a empresa informou que um Memorando de Entendimento havia sido assinado com o Portuguese Aeronautics, Space and Defence Industries Cluster (AED Cluster Portugal) para avançar sua própria proposta, afirmando estar pronta para iniciar os estudos necessários a fim de estruturar um plano que também inclua a participação de companhias locais na produção da aeronave.

Naquele momento, o consórcio do Eurofighter buscou aproveitar o impulso gerado pela compra, pela Alemanha, de 20 aeronaves adicionais, além das previstas nos programas Halcón I e Halcón II da Espanha, referentes às variantes Tranche 4 e 5 da plataforma. Além disso, um novo êxito de exportação foi registrado fora do núcleo de países europeus que originalmente desenvolveram o avião, com a venda de 20 unidades para a Turquia pelo Reino Unido após uma visita do primeiro-ministro britânico Keir Starmer à cidade de Ancara.

Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.

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