Com 314 aeronaves entregues ao longo de seis meses, a fabricante norte-americana pode celebrar um marco recente - ainda que continue vendo a Airbus, sua rival histórica, seguir à frente.
O primeiro semestre de 2026 foi comercialmente animador para a Boeing, mesmo sem apagar a longa fase de turbulência atravessada desde 2018. Entre falhas técnicas que atingiram vários 737 MAX, o teto de produção imposto pela FAA (Federal Aviation Administration) no início de 2024, o trágico acidente do voo 171 da Air India em junho de 2025 e, alguns meses depois, uma greve histórica, foram oito anos de “céu carregado” e prejuízos. Ainda assim, em meados deste ano, a empresa dá sinais de recuperação - lenta, mas consistente.
Boeing: o despertar de um gigante que ainda corre atrás
Os indicadores de junho vieram positivos: 64 aeronaves saíram das linhas de montagem, acima das 60 de maio e também das 60 registradas no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do semestre, foram 314 entregas, número 12% superior ao de 2025 e o melhor desempenho da companhia desde 2018. Para a Boeing, é um respiro bem-vindo, depois de um longo período com poucas razões para comemorar desde a paralisação do 737 MAX.
Entregas em junho e composição por modelos da Boeing
Ao detalhar o mês, a Boeing enviou quarenta e dois 737 MAX e treze 787 Dreamliner. Desses Dreamliner, cinco estavam retidos por não terem a homologação dos assentos - uma autorização regulatória indispensável antes de qualquer entrada em operação. As unidades foram finalmente entregues à jovem companhia Riyadh Air, que aguardava os aviões havia meses.
Além disso, a empresa escoou três 777 cargueiros e cinco 767. Entre esses 767, três seguirão para a divisão de defesa do grupo, onde serão convertidos em KC-46 Pegasus, aeronaves-tanque usadas para reabastecer caças em pleno voo.
Carteira de pedidos, cancelamentos e o avanço do 737 MAX
O ritmo das encomendas acompanhou a mesma tendência: 121 pedidos em junho, oito cancelamentos, 113 no saldo líquido, e 408 no semestre. O 737 MAX, inclusive, acabou de ultrapassar seu antecessor, o 737 Next Generation, com 7 206 pedidos acumulados, contra 7 159 ao longo de toda a vida comercial do modelo anterior.
Airbus à frente: volume de entregas e cadência sob limites da FAA
Os números dão mais tranquilidade à Boeing, especialmente considerando seu histórico recente, mas a Airbus fez melhor. Em junho, a europeia entregou 89 aeronaves e, no primeiro semestre de 2026, somou 351. São trinta e sete aviões de vantagem - e, além disso, a Airbus mantém uma cadência superior.
Atualmente, a Boeing fabrica 42 aeronaves de corredor único por mês e mira 47, um patamar que só pode ser alcançado com o aval da FAA. A agência havia limitado o ritmo a 38 após o incidente da porta arrancada em voo na Alaska Airlines, em 2024. A Airbus, por sua vez, já produz sessenta e cinco monocorredores da família A320neo (A319/A320/A321) por mês e projeta chegar a 70 a 75 até o fim de 2027: diferenças, respectivamente, de 55% e de pelo menos 49% a favor do fabricante europeu.
Assim, embora o primeiro semestre represente um alívio real para a Boeing - sinal de que as companhias aéreas voltam a confiar na empresa -, ela não vai recuperar terreno apenas no jogo do volume de entregas. Nos demais critérios, a Airbus segue na dianteira e o período recente, por mais forte que tenha sido, apenas reforça o tamanho do abismo que hoje separa os dois gigantes da aviação.
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