A “escala” da Fiat: do Panda ao Bravo
Comece pequeno, aumente o tamanho e, na maioria das vezes, os Fiat vão piorando aos poucos. Dá para enxergar a marca como uma espécie de escala que desce da excelência até algo bem mais sem graça.
No topo dessa régua estão o Panda e o 500: pequenos cheios de personalidade, com brilho, carisma e aquela energia que os coloca como referência no segmento.
O Punto vem logo depois. Não chega a ser tão brilhante quanto os menores, mas ainda entrega o que se espera de um Fiat de verdade: ágil, simpático, esperto e imediatamente reconhecível, um antídoto latino e refrescante para a apatia de um Polo - ou de qualquer japonês de tamanho parecido.
Aí chegamos ao carro desta página, o novo Bravo. Ele agrada, e até bastante, mas já começa a escorregar para um território de leve mediocridade: segura parte do estilo e da vivacidade do Punto, porém em pontos importantes fica atrás dos concorrentes.
Mercado e preço do Fiat Bravo
A disputa nessa categoria é dura - absurdamente dura. Na ponta do custo-benefício, há propostas bem equipadas como Kia Cee’d e Hyundai i30. No miolo, aparecem Focus e Astra. Mais acima, Volkswagen Golf e Audi A3 elevam ainda mais o nível.
O Bravo tem preço competitivo, posicionado em algum lugar entre o Cee’d e o Focus. Ele não chega a superar o Ford, mas atropela o que custa menos porque tem o que muitos rivais não têm: caráter. E é, de longe, melhor do que seja lá como se chama o Fiat maior. Eu até esqueci: Cryo, Cromey… alguma coisa assim.
Design do Fiat Bravo e presença na rua
Só pelo visual, o novo Bravo já merecia vender bem. É preciso ser um crítico bem impiedoso para chamá-lo de feio. Coloque-o ao lado dos rivais e fica impossível confundir o conjunto: a dianteira é lisa e alongada, quase com ar de Maserati, graças aos faróis compridos e à grade marcante - algo que não se pode dizer do “circo” Focus/Golf/Auris/Cee’d, que joga seguro demais.
Atrás, o desenho também é limpo e sem exageros. Sempre existe procura por um toque de ousadia italiana, e isso ajuda a explicar por que a Fiat anda lucrando de forma tão organizada nos últimos tempos.
Interior, materiais e ergonomia
Ao entrar no Bravo, você encontra uma cabine clara e com aparência fresca, cheia de contrastes de texturas e materiais. A qualidade percebida, infelizmente, não é alta, mas ao menos foge do padrão alemão mais sem graça, aquele preto/cinza previsível.
O painel tem linhas mais orgânicas, com a parte superior voltada ao motorista e instrumentos embutidos no clássico estilo italiano.
Para quem é alto, porém, a posição ao volante não é confortável. O posto de condução “amassa” as pernas - ao que tudo indica, por causa de pedais posicionados alto demais em relação ao assoalho. Tornozelos e joelhos ficam muito dobrados, e ainda falta um apoio para o pé esquerdo. Não é bom.
Na estrada: T-Jet 150 e refinamento
Mesmo assim, o carro filtra bem as irregularidades, aponta com precisão e anda muito, especialmente nesta versão T-Jet 150, com motor 1,4 litro turbo de 150 cv. Os motores, em geral, são excelentes.
O problema é que o Bravo parece bruto e inacabado demais para brigar de igual para igual com os melhores da categoria. Talvez ele seja simplesmente grande demais para ser um Fiat realmente excelente.
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