Portas: a ideia que colocou o Veloster em evidência
Quando o Hyundai Veloster chegou ao mercado, o assunto dominante não era motor, suspensão ou desempenho - eram as portas. A solução pouco comum e bem inventiva - duas do lado da calçada e apenas uma do lado da rua - ajudou a dar visibilidade tanto ao Veloster quanto à própria Hyundai. De quebra, esse detalhe acabou desviando o foco de um conjunto mecânico que, até então, não tinha nada de especialmente empolgante.
O que muda no Hyundai Veloster Turbo
Agora, porém, o Veloster ganhou turbo - e isso muda o centro da conversa. Então, por mais práticas que as portas sejam para deixar as crianças na escola, vale tratá-lo como um cupê esportivo acessível e observar o que interessa.
A Hyundai instalou um turbocompressor twin-scroll de resposta rápida no motor com injeção direta, elevando a potência para 186 bhp (cerca de 137 kW) e o binário para 195 lb ft (aprox. 264 Nm). Para acompanhar, as rodas passam a 18 polegadas (aprox. 45,7 cm), a suspensão fica mais firme, a direção recebe nova relação e nova carga, e os travões são reforçados. Exatamente o pacote que se espera com a chegada de uma versão mais apimentada.
Visual e aerodinâmica: mais agressivo, especialmente no preto fosco
O carro também aparenta ser mais sério - ainda mais porque o nosso exemplar de teste estava pintado em preto fosco. Em geral, considero esse tipo de acabamento um truque para chamar atenção, típico de quem usa óculos escuros no escuro. Aqui, no entanto, abro uma exceção: o fosco “engole” a luz e suaviza as cavidades e saliências um pouco entusiasmadas demais na chapa.
No Veloster Turbo, o kit externo inclui uma dianteira com uma abertura única maior, aerofólio e saias contornando a base. Atrás, há duas saídas de escape centrais enormes, do tamanho de bocas de bueiro, encaixadas numa peça que lembra um difusor. O conjunto traseiro, aliás, é tão discreto quanto o traseiro de um babuíno. No visual, pelo menos, ele faz questão de parecer que quer ser levado a sério.
Motor e condução: melhor no meio do conta-giros
Na prática, o motor entrega mais ou menos o que os números prometem. O Veloster Turbo vendido aqui não é idêntico ao oferecido nos Estados Unidos: lá, ele tem mais potência em rotações altas (201 bhp), mas menos binário. Ainda assim, desconfio que a nossa calibração seja a mais desejável, porque, em giros elevados, o motor tende a soar áspero e sem graça; o melhor é aproveitar a pressão do turbo nas rotações intermediárias.
Passei pouco tempo ao volante num cenário de Alemanha molhada em níveis bíblicos, então não encare a minha impressão do chassi como palavra final. Mesmo assim, a direção me pareceu mais progressiva do que a do modelo padrão - e precisava ser. Já a decisão de endurecer tanto o conforto de rodagem é algo de que não tenho certeza. A Hyundai afirma ter acrescentado isolamento acústico para reduzir o ruído de rolamento (um problema real no modelo convencional no Reino Unido), mas só mais tempo de convivência vai confirmar.
Reino Unido: vendas, equipamentos e rivais
No Reino Unido, a Hyundai vendeu cerca de 1.000 unidades do Veloster “normal”, o que mostra que há público para o estilo e para o layout de três portas. Os níveis de equipamentos também são generosos. Porém, ao subir para a versão Turbo, imagino que o comprador passe a se importar mais com dinâmica - e, se for isso mesmo, os concorrentes oferecem uma tentação forte e bem afiada.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário