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Toyota GR Corolla: por que o motor G16E-GTS de três cilindros chega a 304 cv

Carro esportivo branco Toyota GR Corolla estacionado em ambiente interno com rodas pretas e detalhes vermelhos.

O novo Toyota GR Corolla virou um dos carros mais comentados do momento - e a empolgação faz sentido, mesmo com a chance grande (e infelizmente) de ele não aparecer por aqui, deste lado do Atlântico.

No fim das contas, é um hot hatch com mais de 300 cv, tração integral e câmbio manual, evocando o “espírito” das máquinas de rali que faziam a gente sonhar nos anos 90 e na virada do século.

E como ele é muito próximo do extraordinário GR Yaris - um verdadeiro especial de homologação -, era inevitável que as expectativas fossem parar na estratosfera.

Apenas três cilindros no Toyota GR Corolla?

Ainda assim, esse pacote agressivo traz uma escolha de motor pouco comum: o G16E-GTS. Um três cilindros em linha, turbo, com pouco mais de 1600 cm³ dificilmente seria a primeira aposta para um hot hatch desse nível - os rivais prováveis, como o Volkswagen Golf R, usam motores maiores, de quatro cilindros e 2,0 l.

Só que o potencial desse três cilindros nervoso já ficou claro no GR Yaris - como dá para relembrar no vídeo abaixo -, então já sabemos que, mesmo compacto, ele tem “poder de fogo” de sobra.

O ponto é que o GR Corolla é maior e também mais pesado - 1474 kg contra 1355 kg (EU), praticamente 120 kg a mais. Por isso, os engenheiros da Toyota Gazoo Racing focaram em extrair ainda mais potência do G16E-GTS para compensar o peso adicional.

O resultado? Um aumento expressivo de potência de 43 cv, subindo dos 261 cv no GR Yaris para os 304 cv no GR Corolla.

Com 304 cv declarados, o GR Corolla passa a ser o três cilindros mais potente do mundo, “roubando” o posto do GR Yaris - pelo menos até o Tiny Friendly Giant do Koenigsegg Gemera chegar à produção, com colossais 600 cv tirados de um pequeno 2,0 l.

Esse ganho também deixa a relação peso-potência do GR Corolla um pouco melhor do que a do GR Yaris: 4,84 kg/cv contra 5,19 kg/cv.

Mais números que chamam atenção? Não apenas os altíssimos 188 cv/l de potência específica, como também o fato de cada cilindro do G16E-GTS no GR Corolla entregar mais de 100 cv - colocando-o no mesmo patamar do… W16 quadriturbo do Bugatti Chiron!

A realidade é que poucos motores conseguem bater essas marcas e, quando conseguem, geralmente estão em carros bem mais exóticos do que um “simples” hot hatch - com exceção do também impressionante M 139 da AMG. O que reforça o quão especial é este G16E-GTS.

Como adicionaram 43 cv?

Não era só questão de “chipar”. As mudanças no G16E-GTS foram mais profundas, tanto para seguir dentro das normas de emissões e ruído quanto para manter a durabilidade e a confiabilidade mecânica pelas quais a Toyota é conhecida. Ainda mais em um carro feito para ser “maltratado”.

À primeira vista, essas alterações não saltam aos olhos, como mostra a tabela abaixo. Entre as duas versões do tricilíndrico, tudo parece igual - fora os números de potência e torque.

G16E-GTS GR Yaris GR Corolla
Material do bloco/cabeçote Alumínio/Alumínio
Cilindros/cilindrada 3 cilindros em linha/1618 cm³
Diâmetro/curso 87,5 mm/89,7 mm
Potência 261 cv às 6500 rpm 304 cv às 6500 rpm
Torque 360 Nm entre as 3000-4600 rpm 370 Nm entre as 3000-5550 rpm
Taxa de compressão 10,5:1
Distribuição 2 a.c.c.; 4 válvulas por cilindro; 12 válvulas
Alimentação Injeção mista: direta e indireta; Turbocompressor; Intercooler
Turbocompressor IHI VB43 (turbo de rolamento de esferas)

A Toyota também não facilitou muito esse exercício de “ache as diferenças”, mas prometeu compartilhar informações mais detalhadas conforme a data de comercialização do GR Corolla na América do Norte se aproximar. Ainda assim, algumas coisas já são conhecidas.

O principal “suspeito” para a elevação de potência inevitavelmente passa pelo turbocompressor. Ao que tudo indica, o GR Corolla usa o mesmo turbo de rolamento de esferas integrado aos coletores de escape do GR Yaris, mas, segundo declarações da Toyota Gazoo Racing à Top Gear, a pressão de sobrealimentação é 10% maior. Sabendo que o GR Yaris trabalha com 1,4 bar, o GR Corolla deve ficar por volta de 1,54 bar.

E não parou aí. O G16E-GTS do GR Corolla recebeu novos pistões, mais resistentes, graças a uma liga metálica diferente (não especificada). As válvulas de escape também aumentaram de tamanho e foram reforçadas, acompanhadas por molas mais rígidas. O radiador de óleo igualmente foi aumentado para lidar melhor com os novos números.

Para fechar esse cocktail, há o sistema de escape com três saídas - um assunto que já abordamos na Razão Automóvel; siga a ligação abaixo. Ele reduz a contrapressão dos gases, melhora a “respiração” do tricilíndrico e ajuda no incremento de potência.

O que fica igual?

Assim como no GR Yaris, o tricilíndrico do GR Corolla mantém pistões refrigerados por jatos de óleo, eixos do comando de válvulas ocos, dutos de admissão parcialmente usinados e o sistema duplo de injeção de combustível (injeção direta e indireta).

A base desse motor no GR Corolla já era, por si só, bem alta - e, se a Toyota tivesse optado por mantê-lo totalmente inalterado, dificilmente alguém reclamaria.

Mesmo assim, eles não deixaram passar a chance de explorar ainda mais o potencial desse pequeno grande motor que, apesar de muito recente, tem tudo para se tornar um dos grandes - e últimos? - motores a combustão da década.


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