Pular para o conteúdo

Citroën Berlingo Multispace Modutop: teste do furgão familiar

Carro Citroën Berlingo verde água com teto preto, visto de frente em estúdio branco.

Todo mundo já foi ultrapassado mais de uma vez por um furgão branco disparando pela faixa da esquerda, com o motorista passando dos limites a caminho de algum “socorro” de encanamento. O Berlingo Multispace é, no fundo, a mesma criatura - só que com a vantagem de levar passageiros atrás (e ter vidros), trazer portas laterais corrediças e oferecer combinações de acabamento surpreendentemente criativas.

Um furgão com janelas - e sem vergonha disso

Até o Mr Magoo poderia confundir o Berlingo com um monovolume, mas a silhueta engana pouca gente. É um furgão com janelas. E, apesar de parecer compacto, ele é maior do que dá a entender: as portas dianteiras são enormes, enquanto as portas traseiras corrediças são apertadas e têm um hábito irritante de “voltar” na sua direção.

A Citroën fez um bom esforço para afastar o Multispace do estereótipo de furgão de trabalho, usando revestimento “Esprit” e oferecendo cores bem chamativas, incluindo “Vermelho Malvado”. O conjunto lembra uma visita a uma loja de brinquedos e educação infantil - só que com bem menos diversão.

Por outro lado, esse visual esquisito, mesmo sem render prestígio na rua, é uma bênção no trânsito urbano. Outros motoristas facilitam sua saída dos cruzamentos, ninguém fecha sua frente, e até pedreiros fazem gestos de incentivo quando você passa.

Pensado para famílias: acesso, espaço e posição de dirigir

O Multispace não mira jovens em ascensão na faixa dos vinte e poucos; ele foi feito para famílias - e é aí que ele brilha. Com duas portas corrediças, entrar e sair é simples. Na frente, sobra espaço para a cabeça (até demais) e o painel é direto ao ponto, com aquele ar utilitário.

Modutop no Berlingo Multispace: porta-trecos no teto e porta-malas

Esta versão, o Multispace “Modutop” (garantiram que não é personagem de desenho animado), traz um sistema de armazenamento no teto para coisas que não couberam no porta-malas. Só que há um detalhe: coloque um celular no compartimento acima do motorista e arranque com vontade no semáforo, e pode acontecer uma desagradável interação Nokia/testa. Ai.

O pacote Modutop inclui vários bolsos e tampas, além de cinco tetos solares individuais e um conjunto auxiliar de saídas de ar. O porta-malas também merece destaque. Ele é grande, mas o acabamento em plástico canelado e bem resistente promete maltratar suas compras na primeira curva mais forte - por isso, redes de bagagem viram item obrigatório.

Ao volante: divertido, leve demais e com motores econômicos

Dirigir o Berlingo é divertido. Não é esportivo, mas, sem carga, consegue arrancar um sorriso. Os comandos são leves até demais e passam sensação de fragilidade; a posição de dirigir alta é típica de furgão, mas mesmo assim o carro gosta de ser conduzido com vontade. E os pneus dianteiros finos entram fácil no modo “chiado cômico” ao contornar curvas.

O Multispace pode vir com motores 1.4, 1.8 e 1.6 16v, além de um 1.9 a diesel. Nesta unidade 1.6, o consumo é contido e o desempenho atende perfeitamente na cidade; já na estrada, a falta de torque e a aerodinâmica de bloco de concreto limitam o ritmo.

Preço e para quem ele faz sentido

Quem compraria um? Provavelmente o mesmo público que leva o Renault Kangoo. O 1.6I 16v Forte custa modestos £9,480, com mais £500 pelo pacote Modutop. Quando você compara com um Scenic de £12,300 ou um Zafira de £13,995, fica claro o tamanho do custo-benefício.

Para famílias com orçamento apertado, o Multispace chega perto do ideal: muito espaço, cabine prática e despesas de uso baixas.

Se você consegue conviver com a imagem utilitária e topar engolir um pouco do orgulho, vale colocar o Citroën na lista. No fim das contas, é um carro que se compra com a cabeça, e não com o coração.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário