Um novo Ford Focus? Mas ele parece o antigo!
O que mudou no Ford Focus reestilizado
Dá para entender a impressão: ele continua muito parecido. A terceira geração do Focus passou por uma reestilização, com faróis mais bem resolvidos e a grade mais recente da marca, mas sem aquela virada radical no visual.
E há um motivo claro para isso: nos últimos dois anos, este foi o carro mais vendido do mundo - e tudo indica que pode repetir o feito em 2014.
Se está funcionando, para que mexer?
Exato. Ainda assim, a Ford aproveitou para aplicar uma série de evoluções pontuais: motores novos (com a inevitável ênfase em melhorar o consumo e reduzir emissões de CO2), pequenos acertos de dinâmica e uma reorganização do interior.
Dinâmica ao volante e sensação de condução
Ele continua bom de guiar?
Quando o Focus substituiu o já cansado Escort, há 16 anos, a precisão do seu comportamento dinâmico foi, sem exagero, reveladora. Com o tempo, o Focus ganhou peso e alguns rivais encostaram, mas esta atualização de meio de ciclo do Focus de terceira geração recoloca o modelo no rumo certo.
As mudanças são discretas e se concentram sobretudo no acerto da direção elétrica, agora calibrada para ser mais fácil no uso diário, e em amortecedores com resposta mais complacente. O efeito colateral positivo é um ganho de agilidade, com reações mais vivas e uma caixa de direção mais natural e prazerosa. Para um sistema de direção com assistência elétrica, o resultado é realmente convincente.
No geral, o Focus passa a sensação de que dianteira e traseira trabalham em conjunto. Uma sequência mais complicada de curvas não pega o carro de surpresa: a suspensão bem acertada absorve variações do piso, enquanto o eixo traseiro topa participar para “fechar” a trajetória na curva quando você pede. Há níveis de aderência tranquilizadores quando a ideia é só chegar ao destino, mas também existe envolvimento suficiente para quem quer dirigir com um sorriso no rosto - e ele permanece sempre equilibrado.
Motores novos, interior e tecnologia
E os motores novos?
Um novo motor diesel 1,5 litro com emissões sub-99g/km deve responder por quase metade das vendas do Focus, embora a potência máxima fique em 118bhp.
Nós fomos direto ao novo motor a gasolina da gama: um 1,5 litro, quatro cilindros, turbo Ecoboost, oferecido em versões de 148bhp e 180bhp. As duas declaram 127g/km de CO2 e 51.4 mpg (cerca de 18,2 km/l). A opção mais forte foi a que pudemos testar - e, em grande parte, ela é muito boa: o torque cheio aparece com uma linearidade parecida com a de um motor aspirado, algo que tende a agradar quem gosta de dirigir.
O ponto é que a partir de 2500 rpm é que o conjunto realmente “acorda”. A falta de vigor em baixa ficou mais evidente no anda-e-para do centro da cidade e também quando foi preciso reduzir mais do que o normal para manter o ritmo em subidas mais íngremes. Em compensação, isso vira uma boa desculpa para aproveitar um câmbio manual de seis marchas competente.
E o interior reorganizado?
Aqui está uma área em que o Focus - e os Ford em geral - já mereciam atenção há tempos. Antes, o painel era quase um quebra-cabeça de ergonomia, com botões minúsculos de ar-condicionado e entretenimento espalhados sem muita lógica pelo console central. Isso mudou.
Agora existe um novo sistema com tela sensível ao toque que reduz imediatamente a quantidade de botões. O desenho das telas claramente se inspira em soluções mais intuitivas do mercado, como o MMI da Audi. Funciona bem e faz o interior parecer e se sentir muito melhor. Ainda assim, os plásticos não chegam ao nível dos da VW.
E a parte de tecnologia?
Tem muita. Quando o Focus de terceira geração chegou, em 2011, ele já era quase uma referência no segmento ao oferecer recursos típicos de carros maiores, como estacionamento automático e alerta de saída de faixa. Nesta atualização, esses itens foram revistos e ampliados: o assistente de estacionamento agora também consegue tirar o carro da vaga apertada em que ele mesmo colocou você, e os radares frontais de prevenção de colisão ficaram mais atentos.
Parece ótimo. Qual é o porém?
O “porém” aparece na concessionária. Se você quer o motor de 180bhp, precisa ir direto para a configuração Titanium X - o que traz vários equipamentos, mas também um preço-base de £23,520.
Isso dá cerca de £1500 a mais do que custa hoje um Focus ST (que, embora menos luxuoso), oferece 247bhp e uma personalidade bem mais inconsequente.
A versão 1.5 Ecoboost de 148bhp, porém, tem o mesmo torque de 177lb ft que a de 180bhp, com preços a partir de £20,545 na Zetec S. E, para quem quer um Focus sem firulas, existe um 1.6 a gasolina “à moda antiga”, com 84bhp, por £13,995.
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