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Ucrânia e Alemanha acertam coprodução de sete novos drones de combate e reforçam defesa com IRIS-T

Dois técnicos em macacão azul analisam dados em tablet ao lado de drone cinza em hangar com bandeiras ao fundo.

Enquanto era confirmada a aquisição de novos sistemas IRIS-T para reforçar suas capacidades de defesa aérea, a Ucrânia também fechou com a Alemanha um acordo para coproduzir sete novos tipos de drones de combate, com o objetivo de equipar suas Forças Armadas. De acordo com informações divulgadas por canais oficiais em Kyiv, seis desses projetos correspondem a plataformas aéreas, e o sétimo consiste em um modelo de apoio destinado ao emprego junto às tropas em terra.

Sete novos drones de combate para as Forças Armadas da Ucrânia

Entre os detalhes apresentados, um dos sete projetos é o Linsa 3.0, desenvolvido em parceria pelas empresas Frontline Robotics e Quantum Systems. Segundo seus fabricantes, trata-se de um drone logístico multifuncional, capaz de transportar até 4 kg de carga útil por distâncias de até 15 km, com autonomia de voo em torno de 60 minutos. Conforme o governo ucraniano, mais de 10.000 unidades serão produzidas ao longo do ano em curso. Outro modelo incluído no pacote é o FPV KOLIBRI, concebido para executar missões de ataque e também atuar como interceptador.

Na mesma linha, as Forças Armadas da Ucrânia poderão incorporar os novos interceptadores STRILA para contribuir com a derrubada de ameaças aéreas russas. Esses sistemas atingem velocidade máxima de 415 km/h e foram projetados especificamente para neutralizar alvos altamente manobráveis. A lista inclui ainda os novos drones Babka, que devem ser integrados às fileiras ucranianas para ampliar as capacidades de reconhecimento no campo de batalha.

Já no aspecto ofensivo, a chegada dos drones Seth-X e Anubis deve fortalecer a capacidade de ataque do país. No primeiro caso, trata-se de um meio voltado a neutralizar alvos de curto alcance, em especial unidades de infantaria, veículos blindados leves e viaturas de apoio logístico. O Anubis, por sua vez, é configurado como um sistema de médio alcance que, além desses mesmos alvos, também serviria contra instalações e veículos blindados de maior porte.

Por fim, o modelo terrestre escolhido pela Ucrânia foi o TerMit, cujas características todo-terreno favorecem sua atuação em missões de evacuação e de apoio logístico, com alcance de 40 km.

Acordos industriais e a iniciativa “Build with Ukraine”

Além dos sete sistemas mencionados, vale notar que a produção implicará um nível elevado de parceria entre empresas alemãs e ucranianas, com mais de seis acordos de cooperação já assinados no âmbito da iniciativa “Build with Ukraine”. Entre os exemplos citados, destaca-se a alemã Diehl Defence com as ucranianas FirePoint e Luch, que concordaram em ampliar a cooperação tecnológica. Também foi mencionado o memorando de entendimento entre a TAF Industries e a Thyra, voltado à fabricação de interceptadores, entre outros casos.

Visita de Zelensky ao território alemão

Esses avanços ocorreram em paralelo a uma visita oficial do presidente Volodymyr Zelensky à Alemanha. Na ocasião, ele se reuniu com o chanceler Friedrich Merz, pôde ver os novos drones em uma exposição estática e discutiu outros temas relacionados à parceria de longo prazo.

Segundo relatos da imprensa alemã, um dos assuntos tratados foi o aumento do número de homens ucranianos que fogem para a Alemanha para evitar a conscrição, o que enfraquece as fileiras das Forças Armadas da Ucrânia e eleva os gastos sociais do aliado.

Também foi informado que os dois países renovaram entendimentos ligados à reconstrução da Ucrânia após o fim da guerra, ao mesmo tempo em que buscaram oferecer novas demonstrações de apoio alemão à tentativa ucraniana de ingressar na União Europeia. Na avaliação do chanceler Merz, isso seria um “passo estrategicamente importante rumo a mais segurança e prosperidade na Europa”, embora ele tenha reduzido as expectativas de adesão no curto prazo. Outros pontos debatidos incluíram, por exemplo, planos para ampliar a cooperação no setor de energia, enquanto a presidência ucraniana voltou a pedir mais recursos para aumentar a produção de armamentos - chegando a afirmar que o país poderia dobrar seus níveis atuais caso receba maior apoio de seus parceiros.

A busca por mais apoio na Europa

Além da agenda oficial na Alemanha, o presidente ucraniano e sua comitiva realizaram uma viagem mais ampla por diferentes capitais europeias em busca de mais apoio ao país, que enfrenta a invasão russa desde 2022. Assim como no encontro com Merz, Zelensky concentrou seus esforços em firmar acordos de cooperação focados na produção de sistemas não tripulados e no fortalecimento da defesa aérea - dois fatores centrais para os rumos do conflito.

Entre as visitas, destaca-se a ida do líder ucraniano à Noruega para se reunir com suas contrapartes, quando foram ressaltadas a intenção de avançar com uma parceria estratégica mais ampla em defesa e o compromisso de Oslo com a iniciativa PURL. Em particular, Zelensky afirmou que seu país poderia contribuir com a reconfiguração das redes europeias de defesa aérea, dado que suas tropas acumulam ampla experiência em combate moderno e em desenvolvimentos tecnológicos especialmente voltados a enfrentar drones.

A delegação ucraniana também esteve na Itália, onde se reuniu com o ministro da Defesa, Guido Crosetto, para explorar novas oportunidades de cooperação bilateral e a continuidade do apoio financeiro fornecido por Roma. Ali, o presidente ucraniano enfatizou que o país estava pronto para trabalhar em acordos tanto no plano bilateral quanto no multilateral, incluindo o arcabouço que será oferecido pelo instrumento conhecido como SAFE. Pouco depois, Zelensky seguiu para os Países Baixos, onde também ficou acordado avançar com a produção conjunta de drones, mísseis e sistemas de guerra eletrónica.

Por último, vale destacar que do Reino Unido veio outra notícia relevante na área de defesa para a Ucrânia: o envio do que seria o maior pacote de drones anunciado desde o início da guerra. Conforme noticiou o Escenario Mundial em 15 de abril, isso incluiria mais de 120.000 sistemas não tripulados de vigilância, ataque e logística, que se somariam às mais de 85.000 unidades entregues nos últimos seis meses, adquiridas em troca de cerca de 600 milhões de libras esterlinas.

Imagens usadas para fins ilustrativos

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