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Volvo EX60 pode ser mais lucrativo que o XC60 híbrido plug-in

Carro Volvo EX60 Electric azul claro estacionado em ambiente interno com parede branca e piso cinza refletivo.

Hoje já dá para obter lucro com a venda de carros elétricos, mas, segundo executivos do setor, eles ainda não entregam o mesmo nível de rentabilidade dos modelos com motor a combustão. Pesam contra os elétricos os investimentos gigantescos em plataformas novas, o encarecimento das matérias-primas (principalmente as ligadas às baterias) e um volume de vendas abaixo do esperado.

Por que a rentabilidade dos elétricos ainda fica atrás

Nesse cenário, a Volvo afirma ter encontrado o caminho certo: a marca diz que o novo EX60 consegue dar mais retorno financeiro do que o XC60 híbrido plug-in atualmente à venda. A declaração é de Fredrik Hansson, diretor financeiro da Volvo, em entrevista à Automotive News Europe: “Vamos ter uma margem de lucro maior com o EX60 do que com o XC60”.

O desafio de substituir o Volvo XC60

E faz sentido que isso aconteça. Mesmo antes de rodar nas ruas, o EX60 já nasce com uma responsabilidade enorme: assumir, com o tempo, o lugar do XC60, que é o carro mais vendido da Volvo no mundo. Os dois devem dividir as concessionárias por alguns anos, mas a ideia é que o EX60 acabe ocupando integralmente a posição do XC60.

Vale lembrar que a gama do XC60 é centrada em motores a combustão com algum grau de eletrificação: mild-hybrid e híbridos plug-in.

Como é que a Volvo tornou o EX60 mais rentável?

Segundo Hansson, o motivo está nas novidades de manufatura que estreiam nesse SUV elétrico. As soluções cell-to-body e megacasting não apenas ajudaram a tirar 80 kg do EX60, como também abriram espaço para uma queda relevante nos custos de produção. “Será difícil para os nossos concorrentes igualar isto, se não tiverem feito estes investimentos estruturais”, afirmou Hansson.

No caso da tecnologia cell-to-body, a proposta é, na prática, eliminar módulos e dispensar um pacote de baterias separado, ao integrar as células diretamente na estrutura do EX60. Com isso, a bateria passa a atuar como parte estrutural do veículo, o que eleva a rigidez, melhora o aproveitamento de espaço e corta custos ao reduzir a quantidade de componentes.

Já o megacasting - que a Tesla divulga como gigacasting e que também aparece em diversas marcas chinesas - é um processo de fundição sob alta pressão capaz de produzir uma área grande da carroceria, como a estrutura traseira, em uma única peça de alumínio. Segundo a Volvo, isso pode diminuir em até 100 o número de peças individuais necessárias para a mesma estrutura (que, do contrário, precisariam ser coladas ou soldadas). O resultado é uma redução acentuada na complexidade de montagem, no desperdício e no peso final do carro.

Hansson ainda cita, como peça importante para chegar à rentabilidade que tem escapado aos elétricos, a terceira geração de motores elétricos que estreia no EX60. Esses novos motores foram desenvolvidos internamente e, de acordo com o executivo, baixaram os custos de produção em 18%. Ele completa dizendo que avanços na arquitetura eletrônica e vários ajustes pelo modelo “resultam num produto melhor, mais leve e barato”.

“O EX60 é um carro extremamente importante. Está a entrar no maior segmento de veículos eletrificados do mundo, num momento em que seguimos firmemente o caminho para nos tornarmos uma marca totalmente eletrificada. Não é exagero sublinhar a relevância deste modelo”.

Fredrik Hansson, diretor financeiro da Volvo

Quando chega?

Em Portugal, o novo Volvo EX60 chega a partir do final do verão com um preço de entrada de 67 906 euros, valor pouco mais de 2000 euros abaixo do XC60 híbrido plug-in de entrada - embora a tributação local influencie essa diferença, já que os 100% elétricos têm benefício (não pagam ISV).

As encomendas já estão abertas e, segundo a marca, vêm superando com folga as expectativas. Pela primeira vez em 99 anos, a Volvo avalia cancelar uma das semanas de parada de verão da produção na fábrica de Torslanda (próxima de Gotemburgo), porque a fila de espera para entrega do modelo já passa de oito meses. Em algumas versões, chega aos 17 meses.

Sobre quando os resultados financeiros da Volvo devem, de fato, começar a mostrar o efeito do que o EX60 promete, Hansson não informou uma data específica.

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