O diretor-presidente da MBDA, Eric Béranger, encerrou nesta semana uma visita oficial ao Brasil com o objetivo de reafirmar o compromisso estratégico da companhia com o país e aprofundar conversas sobre cooperação industrial e tecnológica no setor de defesa. A passagem integrou um roteiro mais amplo pela América Latina, área que a empresa europeia - especializada em sistemas de mísseis e armamentos complexos - classifica como prioritária.
A comitiva da MBDA incluiu Florent Duleux, vice-presidente sênior de Vendas para Exportação; Ricardo Mantovani, vice-presidente de Vendas para as Américas; e Pierre Marquis, diretor-geral da empresa no Brasil.
MBDA no Brasil: reuniões com Forças Armadas e autoridades
A visita ocorreu em 1º e 2 de junho e teve como parte central encontros com integrantes das Forças Armadas brasileiras. Os executivos se reuniram com o comandante da Marinha do Brasil, almirante Marcos Sampaio Olsen; com o chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), tenente-brigadeiro do ar Walcyr Josué de Castilho Araújo; e com o subchefe do Estado-Maior do Exército (EME), general Eduardo Tavares Martins.
O roteiro também contemplou agendas com autoridades do corpo diplomático, incluindo o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese; o embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain; e o vice-embaixador do Reino Unido, Tony Kay.
Parceira de longa data das Forças Armadas brasileiras, a MBDA fornece sistemas de mísseis empregados em algumas das principais plataformas militares em operação no país, como os caças Gripen, as fragatas Classe Tamandaré, os submarinos Scorpène BR e os helicópteros H225M.
Cooperação industrial e transferência de tecnologia em projetos de defesa
De acordo com a empresa, o Brasil hoje tem papel central dentro de sua estratégia para a América Latina. Ao longo da visita, a MBDA sinalizou interesse em ampliar sua participação em projetos de defesa no país, incluindo ações voltadas à transferência de tecnologia, ao fortalecimento do desenvolvimento industrial e à inserção de companhias brasileiras na cadeia global de fornecimento da MBDA.
EMADS e METEOR: sistemas prioritários na agenda
A MBDA também destacou o recente processo de seleção do sistema EMADS pelo Exército Brasileiro no âmbito do programa de Defesa Antiaérea de Média Distância. A solução já é operada por países como Itália, Reino Unido e Polônia e figura entre as principais apostas da companhia para o mercado internacional.
Outro ponto discutido foi a integração do míssil ar-ar METEOR ao caça F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira. Em 2025, a FAB conduziu lançamentos bem-sucedidos do armamento durante a Operação BVR-X, etapa que a empresa considera relevante para consolidar a capacidade operacional da aeronave.
“A participação da MBDA na Operação BVR-X representou um avanço extremamente significativo para a Força Aérea Brasileira e reforçou as capacidades tecnológicas da empresa no desenvolvimento de sistemas de defesa de nova geração”, afirmou Eric Béranger.
O executivo também ressaltou que o METEOR está sendo integrado aos caças KF-21 e F-35 e que o armamento já equipa aeronaves como Gripen, Rafale e Eurofighter.
Presença local e crescimento da MBDA no cenário global
Além das tratativas institucionais, a MBDA reiterou seus planos de expansão no país. Desde 2024, a companhia opera uma subsidiária no Rio de Janeiro, estabelecida para reforçar a presença local e ampliar a cooperação com a indústria brasileira.
Entre as ações recentes, a empresa mencionou a realização de seu primeiro Dia do Fornecedor no Brasil, encontro que reuniu 16 empresas brasileiras e representantes globais da área de compras da MBDA. A iniciativa teve apoio do Ministério da Defesa, por meio da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
No plano internacional, a MBDA atravessa um ciclo de crescimento. Em 2025, a companhia registrou receita de 5,8 bilhões de euros, somou 13,2 bilhões de euros em novos pedidos e fechou o período com uma carteira de encomendas de 44,4 bilhões de euros. Entre 2023 e o fim de 2025, a produção de mísseis foi duplicada, e a expectativa declarada é elevar esse volume em mais 40% ao longo deste ano.
Segundo a empresa, a visita ao Brasil serviu para reafirmar o compromisso de longo prazo com o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa brasileira e com o avanço da cooperação estratégica entre a indústria nacional e o mercado global de defesa.
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