Há 21 anos no topo da linha de SUVs da marca alemã, o Audi Q7 está prestes a entregar o posto de porta-estandarte ao futuro Q9. Ainda assim, isso não impediu a Audi, em Ingolstadt, de atualizar aquele que segue sendo, por enquanto, o maior SUV do seu portfólio.
Como já indicavam as fotos-espia, o visual não se resume a um simples retoque do antecessor. Do lado de fora, o sinal mais evidente de que se trata de uma nova geração do Q7 (a terceira desde 2005) está na posição mais alta dos clássicos quatro anéis da Audi.
Somam-se a isso os faróis dianteiros com tecnologia LED digital, agora mais estreitos do que antes, e a grade frontal mais marcante, com novas entradas de ar, reforçando a aproximação à linguagem visual mais recente da Audi.
Visto de perfil, as diferenças se concentram nos arcos de roda mais musculosos e no pilar traseiro com postura mais vertical. Já na traseira aparecem novas lanternas OLED conectadas por uma barra luminosa que atravessa toda a largura do Q7.
Falando em luz, a iluminação é um dos grandes trunfos do novo Q7. O SUV passa a oferecer um dos sistemas mais avançados do mercado, ao combinar recursos de apoio à condução com a capacidade de se comunicar com o ambiente externo.
Em conjunto com os assistentes de condução, o Q7 consegue avisar outros motoristas e pedestres sobre manobras ou situações de risco. Esses alertas podem ser exibidos nas próprias assinaturas luminosas ou, em determinadas situações, por projeção diretamente no asfalto.
Na prática, isso permite que o carro, por exemplo, sinalize a presença de gelo na via no head-up display, aumente a visibilidade de pedestres em áreas com pouca iluminação sem ofuscá-los e, à noite, projete indicações luminosas no chão - seja o acionamento das setas, seja sinais para alertar outros condutores.
Outra novidade no Q7 é o sistema de portas automáticas, pensado para facilitar o acesso e a saída do SUV. Para ampliar a conveniência, o modelo também passa a contar com fechamento suave, finalizando automaticamente o fechamento quando a porta não é encostada por completo pelo usuário.
Todo esse conjunto funciona com base em uma rede de sensores distribuídos pelo veículo, que acompanha em tempo real o entorno do Audi e interrompe o movimento sempre que identifica obstáculos.
Agora com três telas
Alinhado ao momento atual, o interior do novo Q7 aprofunda a digitalização ao adotar uma terceira tela voltada ao passageiro dianteiro, que se soma ao painel de instrumentos e à tela central do sistema de infoentretenimento.
Em conectividade, o pacote é amplo: há portas USB-C espalhadas pelas diferentes fileiras, com potência de 60 watts na segunda fileira e de 100 watts na terceira, além de bases de carregamento sem fio para dispositivos móveis.
O conforto também avança. Os bancos dianteiros podem trazer aquecimento, ventilação e massagem, enquanto os apoios de cabeça podem incorporar alto-falantes voltados para chamadas, navegação e efeitos sonoros surround. Opcionalmente, ainda podem receber atuadores de vibração sincronizados com a música, com ajuste feito pelo usuário.
Outro destaque é o teto panorâmico de grandes dimensões. Por contar com uma estrutura mais fina do que a usada em outros Audi, foi possível oferecer mais espaço livre para a cabeça, tanto na frente quanto atrás.
Com o veículo parado, o teto se torna opaco, aumentando a privacidade. Por fim, o vidro laminado do teto panorâmico reflete a luz infravermelha e, segundo os engenheiros alemães, bloqueia 99,5% dos raios UV, o que permite dispensar uma persiana convencional.
Interior (ainda) mais versátil
Por dentro, além do foco em tecnologia, o novo Q7 busca elevar a flexibilidade de uso ao oferecer três configurações de bancos: cinco lugares de série ou, opcionalmente, seis (2+2+2) e sete lugares (2+3+2).
Todos os assentos trazem ajuste elétrico parcial de série e, nas versões de cinco e sete lugares, é possível acomodar três cadeirinhas infantis na segunda ou na terceira fileira. Os encostos podem ser rebatidos na proporção 65/35.
A segunda fileira pode ser ajustada pela tela central ou por comandos físicos instalados nos pilares traseiros e no porta-malas. Quanto ao compartimento de bagagens, a capacidade fica entre 581 e 670 litros (nas versões de cinco e sete lugares, respectivamente), chegando a 2075 litros com os bancos rebatidos.
Para ampliar a praticidade, o porta-malas também traz trilhos laterais de alumínio para fixação de carga e sistemas de ancoragem ajustáveis.
Diesel resiste
Por enquanto, o novo Q7 é oferecido apenas com motor Diesel. Trata-se de um V6 de 3,0 litros em dois níveis de potência: 180 kW (245 cv) e 500 Nm ou 220 kW (299 cv) e 630 Nm.
Com sistema mild-hybrid e compressor elétrico, o conjunto do novo Q7 se apoia em três elementos principais: alternador de partida acionado por correia, gerador do trem de força e bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP).
Na prática, o sistema elétrico adiciona 18 kW (24 cv) de assistência, com a proposta de reduzir consumo e melhorar a resposta nas acelerações. Ele também permite rodar em modo totalmente elétrico por curtas distâncias, algo especialmente útil em manobras, estacionamento ou no uso urbano.
Já o compressor elétrico, com pressão de sobrealimentação de 3,4 bar, atua continuamente em toda a faixa de rotações, garantindo entrega de potência mais imediata e linear.
O destaque, porém, não fica restrito às motorizações. A Audi também dedicou atenção ao comportamento dinâmico e às ligações ao solo. Assim, o SUV alemão pode ser configurado com três tipos de suspensão - e a escolha fica nas mãos do cliente.
De série, o Q7 vem com suspensão de molas de aço. Como opcional, a marca oferece a suspensão pneumática adaptativa ou a versão pneumática adaptativa Sport, com amortecimento controlado eletronicamente e 3 centímetros a menos de altura livre do solo.
Quando chega?
Por ora, a Audi não informou se a linha do Q7 terá outras motorizações. Vale lembrar que a geração anterior contava com uma gama bastante variada, incluindo versões Diesel, híbridas plug-in e a gasolina - entre elas o SQ7, cujo sucessor também ainda não foi confirmado.
O que já está definido é que o novo Q7 será produzido em Bratislava, na Eslováquia, assim como as duas gerações anteriores, e que chega ao mercado alemão em junho de 2026, quando se inicia a fase de encomendas.
As primeiras entregas nesse mercado estão previstas para setembro. Na Alemanha, os preços começam em 87 900 euros para a versão de 245 cv, enquanto a opção mais potente, com 299 cv, parte de 90 500 euros.
Já a chegada a Portugal está prevista para o outono de 2026, mas os preços para o mercado nacional ainda não foram divulgados pela marca.
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