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Rússia confirma teste do míssil balístico RS-28 Sarmat em apresentação a Putin

Oficiais militares em sala de comando analisam mapa mundial com simulação de foguete na tela grande.

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Teste do míssil balístico RS-28 Sarmat e validação do projeto

Durante uma apresentação do comandante das Forças de Mísseis Estratégicos, Sergey Karakayev, ao presidente Vladimir Putin, foi confirmado que as Forças Armadas da Rússia realizaram um lançamento do míssil balístico RS-28 Sarmat para evidenciar suas capacidades de dissuasão nuclear. Segundo informações divulgadas a partir de Moscou, os ensaios foram bem-sucedidos e serviram para checar o funcionamento do sistema após a incorporação de alterações no projeto original - mudanças que, até o momento, não foram detalhadas por fontes oficiais.

Ao tratar do tema, Karakayev declarou que a introdução operacional dos mísseis Sarmat: “melhorará significativamente as capacidades de combate das forças nucleares estratégicas terrestres para garantir a destruição de objetivos e cumprir as missões de dissuasão estratégica (…) Os resultados dos testes confirmaram a correção do projeto e das soluções tecnológicas, bem como a capacidade do sistema de mísseis de obter a certificação de suas características conforme os padrões de qualidade”.

Cronograma de implantação do RS-28 Sarmat e primeiro regimento

Em outro trecho do informe, o oficial indicou que o planejamento vigente prevê que a implantação de mísseis RS-28 Sarmat prontos para combate ocorra até o fim deste mesmo ano. Nessa etapa, um primeiro regimento já estaria equipado na região de Krasnoyarsk, especificamente na formação de Uzhur.

Para as Forças Armadas russas, isso significaria um avanço qualitativo relevante em relação aos sistemas Voyevoda, herdados da era soviética. O RS-28 Sarmat é apresentado como um modelo com maior disponibilidade operacional e desempenho superior em alcance, que - de acordo com o próprio Putin - ficaria em torno de 35.000 quilômetros em trajetória suborbital. Além disso, foi indicado que, com as novas modificações, o míssil balístico passou a contar com capacidades ampliadas de contramedidas, o que lhe permitiria superar tentativas de interceptação por parte das defesas aéreas inimigas.

Mensagem a países ocidentais e integração com o Oreshnik

Em um trecho interpretado como recado voltado a diferentes países do Ocidente, o presidente russo afirmou: “O rendimento total da ogiva lançada é mais de quatro vezes superior ao de qualquer equivalente ocidental mais potente”. Sem apresentar detalhes técnicos adicionais sobre essa potência, acrescentou que o míssil foi pensado para operar em conjunto com os mísseis balísticos de alcance intermediário chamados Oreshnik, que também podem portar ogivas nucleares e já foram incorporados ao serviço - apontando para a rede que se pretende estruturar.

Nos dois casos, o movimento se insere em um programa gradual de modernização das capacidades russas de dissuasão, que tem avançado em ritmo irregular. No caso específico do RS-28 Sarmat, vale lembrar que os primeiros testes conhecidos ocorreram em abril de 2022, quando foi realizado um lançamento a partir das instalações do Cosmódromo de Plesetsk, na região de Arkhangelsk. Após esse êxito inicial, Putin chegou a declarar que o novo míssil balístico entraria em serviço no fim daquele mesmo ano - o que, ao final, não se concretizou.

Sobre esses esforços de atualização, Putin afirmou recentemente: “Os trabalhos para melhorar as forças de dissuasão da Rússia foram retomados no início da década de 2000 e continuaram. Francamente, naquela época tínhamos outras preocupações. A Rússia atravessava um período muito difícil de sua história.” Ele acrescentou ainda que, após a saída dos EUA do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos em 2002: “A Rússia foi obrigada a considerar como garantir sua segurança estratégica na nova realidade e a necessidade de manter um equilíbrio estratégico de poder e paridade”.

Contexto atual: Dia da Vitória e ofensivas com drones

Por fim, no cenário atual, é relevante notar que a divulgação dos testes do míssil balístico RS-28 Sarmat ocorre praticamente ao mesmo tempo em que Moscou celebrou um novo Dia da Vitória. O evento, segundo foi reportado, exigiu negociações longas e tensas com a Ucrânia para que se alcançasse uma trégua capaz de permitir sua realização sem maiores incidentes e, conforme veículos ocidentais, foi um dos mais austeros dos últimos anos.

Nesse contexto, o sinal de dissuasão nuclear ganha peso, assim como as ofensivas renovadas com drones sobre território ucraniano após o encerramento da celebração. Foi registrado, na madrugada de terça-feira, o lançamento de mais de 200 drones contra alvos em Kiev, Dnipro, Mykolaiv, Cherkasy, Zhytomyr e Chernihiv.

Imagens utilizadas apenas a título ilustrativo

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