O novo Honda CR-V estreia um sistema híbrido plug-in capaz de rodar por mais de 80 km em modo 100% elétrico. Já dirigimos.
A nova geração do Honda CR-V desembarca em Portugal ainda este ano, mas já é vendida na China - onde é produzida -, um dos mercados-chave para o desempenho comercial do modelo. Não por acaso, ele traz soluções pensadas para agradar por lá, como a grade dianteira enorme e as proporções maiores da carroceria.
Além de ser o maior SUV da marca japonesa, o Honda CR-V de sexta geração passa a ser também o primeiro da linha equipado com um conjunto híbrido plug-in (e:PHEV).
O sistema combina um motor 2.0 de quatro cilindros com 148 cv e um motor elétrico com 184 cv, alimentado por uma bateria de 17,7 kWh. A autonomia máxima declarada no modo 100% elétrico é de 81 km.
Para a apresentação dinâmica do novo Honda CR-V, a marca escolheu a região do Porto e do Douro. Por lá, estiveram disponíveis as versões híbridas com tração dianteira e integral, além da híbrida plug-in, que concentra a principal novidade técnica.
Funcionalidade e mais espaço
Com o crescimento das dimensões externas, era esperado que o habitáculo também ficasse mais generoso. E é exatamente isso que acontece: o modelo passa a estar entre os SUV mais espaçosos da categoria nesse quesito.
Na segunda fileira, o espaço para as pernas pode ser ajustado graças ao deslocamento longitudinal e assimétrico dos bancos em 19 cm. Com isso, dá para dizer que até jogadores da NBA viajam sem precisar “se encolher”.
Além da boa área disponível, os bancos são bem confortáveis, oferecem ajuste do encosto em oito posições e, como não há um túnel central intrusivo no assoalho, a mobilidade de quem vai atrás fica melhor.
No acesso ao interior, as portas abrem em um ângulo próximo de 90 graus, o que ajuda bastante para entrar e sair, e também para instalar ou retirar cadeirinhas de bebê.
O porta-malas ganhou 99 litros em relação ao CR-V anterior, chegando a 587 litros. E o aumento é ainda mais interessante na versão PHEV, que traz um compartimento sob o piso com capacidade para 72 litros de itens menores (como os cabos de recarga da bateria, por exemplo).
É incomum (para não dizer inédito) que a versão plug-in tenha um porta-malas maior - algo que, aqui, acontece por causa do posicionamento da bateria e de outros componentes mais próximos da parte dianteira.
"Decalcado" do Honda ZR-V
Na frente, aparecem os elementos já característicos do painel dos modelos mais recentes da Honda: desenho horizontal, sensação de montagem robusta, materiais agradáveis ao toque e a grelha transversal com padrão hexagonal que integra as saídas de ar.
Também estão presentes a tela central de 9” do sistema multimídia e o painel de instrumentos digital de 10,2”. A leitura é correta, mas o conjunto já parece visualmente envelhecido, tanto pelos gráficos quanto pelo predomínio de tons monocromáticos - sem falar nos comandos "antiquados" na tela central, que soam como uma reverência aos anos 90.
Nas versões mais completas, há ainda um head-up display projetado no para-brisa, solução mais sofisticada do que a lâmina instalada acima do quadro de instrumentos.
Em relação ao Honda ZR-V, uma das diferenças mais fáceis de notar é o console central mais largo. Ainda assim, ele mantém os mesmos comandos do câmbio automático, o seletor dos modos de condução e outro comando dedicado aos modos de funcionamento do sistema híbrido.
Comportamento aprovado
A dinâmica prioriza o conforto, e as diferenças entre os modos de condução não são muito marcantes. Na variante híbrida plug-in, há amortecedores eletrônicos de ajuste variável, e o conforto alterna entre excelente e muito satisfatório - novamente, sem mudanças muito grandes.
O desempenho do CR-V híbrido plug-in é considerado adequado porque a entrega imediata de energia elétrica ajuda a evitar dificuldades nas retomadas, mesmo com a aceleração de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos.
Por outro lado, a versão híbrida plug-in é mais pesada, por conta do tamanho da bateria, e isso afeta algumas medições de desempenho. Em compensação, como ela fica instalada no assoalho, mais ao centro, o peso extra contribui para maior estabilidade e até deixa a direção mais "comunicativa".
Modos de condução do sistema e:PHEV
Na versão híbrida (e:HEV), não há modos de condução selecionáveis: o próprio sistema define como operar. Já no e:PHEV, o motorista pode escolher entre EV (elétrico puro), Auto (híbrido), Save (o sistema mantém a carga da bateria no mesmo nível) e Charge (mantendo o comando dos modos acionado por alguns segundos, o motor a gasolina passa a recarregar a bateria).
O modo EV é bloqueado quando o modo Sport está ativado e é desabilitado quando se acelera com o pé embaixo, para preservar a autonomia elétrica. E, quando a bateria está com pouca carga, o uso do EV também fica limitado.
Além disso, há aletas atrás do volante para variar a regeneração de energia na desaceleração, com quatro níveis. Também dá para apertar o botão “B” no seletor do câmbio para gerar uma força mais elevada. Ainda assim, o CR-V não permite condução com um pedal só: ele não para completamente se o motorista não acionar o pedal de freio.
Um dos avanços mais notáveis nas gerações recentes de sistemas híbridos está nas transmissões de variação contínua, que hoje conseguem alinhar melhor o ruído do motor com a resposta do conjunto.
Isso aparece de forma clara no CR-V híbrido, mas no plug-in o resultado acaba influenciado pelo som sintetizado de aceleração quando se escolhe o modo Sport.
Além de ser um som bastante "primário", o que ocorre é uma mistura do áudio sintético da aceleração elétrica com o ruído do motor a gasolina quando se acelera forte (e ele entra em carga para ajudar), criando uma "barulheira" desconcertante e pouco homogênea.
Consumos e autonomia
No percurso de 40 km realizado com o Honda CR-V e:HEV (híbrido), quase todo em rodovias, a média ficou em 7,7 l/100 km - bem acima dos 5,9 l/100 km informados pela Honda.
Ainda assim, é um número aceitável, considerando que se tratava de um teste, com várias acelerações mais fortes e um ritmo geral mais rápido do que no uso cotidiano.
Ao volante da versão híbrida plug-in, foram percorridos cerca de 120 km, sendo 80 com carga na bateria, o que valida os 81 km de autonomia elétrica anunciados pela Honda. Porém, o cenário mais exigente do teste elevou (ainda mais) a média final registrada, que fechou em 3,4 l/100 km (oficialmente, são 0,9 l/100 km).
Por outro lado, quando a bateria "acabou", a média estava em 2,9 l/100 km - ou seja, os 40 km finais do trajeto aumentaram a média em apenas meio litro. Isso acaba sustentando o argumento dos engenheiros da Honda, que "prometem" uma média de 6,2 l/100 km quando o Honda CR-V está sem carga na bateria.
Marcas como Honda e Toyota têm longa experiência com híbridos, mas não com híbridos plug-in, e isso fica evidente na parte de recarga. Por exemplo, ainda não há recarga em corrente contínua (DC), apenas em corrente alternada (AC). No caso do Honda CR-V, o carregador de bordo é de apenas 6,8 kW, o que significa cerca de 2,5 horas para encher totalmente a bateria de 17,7 kWh.
Abertas as encomendas
A nova geração do Honda CR-V chega ao mercado ainda este ano, mas os pedidos já podem ser feitos. Por aqui, a maior aposta será a versão híbrida plug-in, embora ela tenha preço inicial de 61 500 euros.
Como alternativa, a Honda também oferecerá o CR-V com sistema híbrido convencional, ainda sem preço totalmente definido. Mesmo assim, a estimativa é que o valor de entrada fique em torno de 52 mil euros.
Mais adiante, será lançada a versão híbrida com tração nas quatro rodas, mas a marca prevê que ela terá pouca relevância no nosso mercado.
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