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Jeep Wrangler 4xe: primeiro contato com o Wrangler híbrido plug-in

Jeep Wrangler 4xe azul exibido em showroom moderno com iluminação branca.

Era só uma questão de tempo. O Wrangler - herdeiro direto do primeiro Jeep - finalmente cedeu à eletrificação.

Fomos até a Itália, mais exatamente Turim, para ter um primeiro contato com o Wrangler 4xe e reunimos aqui tudo o que você precisa saber sobre o primeiro Wrangler híbrido plug-in da história.

Tudo começa há 80 anos, em 1941, com o lendário Willys MB, encomendado pelo Exército dos Estados Unidos da América (EUA). Esse pequeno veículo militar acabaria dando origem à Jeep, uma marca tão emblemática que o próprio nome virou sinônimo de carro para fora de estrada.

Por isso, se existe algo que sempre se espera da marca norte-americana - hoje dentro do grupo Stellantis - são modelos muito competentes no off-road. E, mesmo na era da eletrificação, essa cobrança não só permaneceu como ficou ainda maior.

O primeiro representante da ofensiva eletrificada da Jeep que passou pelas nossas mãos foi o Compass Trailhawk 4xe, testado e aprovado pelo João Tomé. Agora foi a vez de guiar, pela primeira vez, o “ponta de lança” dessa estratégia: o Wrangler 4xe.

Este é, sem discussão, o Jeep mais icônico. Justamente por isso, é também o que carrega as maiores expectativas. Mas será que ele entrega?

Imagem não mudou. E ainda bem…

No visual, praticamente nada de novo. O desenho escultural das versões a combustão continua intacto e segue marcado por elementos inconfundíveis, como os para-lamas trapezoidais e os faróis redondos.

Somando a isso, na versão Rubicon aparecem detalhes exclusivos: a inscrição Rubicon em azul no capô, a faixa preta - também no capô - com o logotipo “4xe” e o gancho de reboque traseiro igualmente em azul.

O Wrangler mais high-tech de sempre

Por dentro, o salto é de tecnologia, mas sem “mexer” no caráter já clássico do modelo. O acabamento continua robusto e seguem presentes traços típicos como a alça à frente do banco do passageiro e os parafusos aparentes nas portas.

No topo do painel de instrumentos agora há um display de LED que indica o nível de carga da bateria. Já à esquerda do volante passam a ficar os botões “E-Selec”, usados para alternar entre os três modos de condução: híbrido, elétrico e E-Save.

O “segredo” está na mecânica

O conjunto mecânico do Wrangler 4xe une dois motores-geradores elétricos e um conjunto de baterias de íons de lítio de 400 V e 17 kWh a um motor 2.0 turbo a gasolina, de quatro cilindros.

O primeiro motor-gerador elétrico é acoplado ao motor a combustão (no lugar do alternador) e, além de trabalhar em conjunto com ele, também pode atuar como gerador de alta tensão. O segundo fica integrado ao câmbio automático de oito marchas - onde normalmente estaria o conversor de torque - e tem a função de tracionar e recuperar energia nas frenagens.

No resultado final, este Jeep Wrangler 4xe entrega 380 cv (280 kW) de potência máxima combinada e 637 Nm de torque. Para gerenciar potência e torque entre o motor elétrico e o motor a combustão, o sistema usa duas embreagens.

A primeira fica instalada entre as duas unidades. Quando está aberta, permite que o Wrangler 4xe rode em modo 100% elétrico mesmo sem ligação mecânica entre o motor a combustão e o motor elétrico. Quando está fechada, o torque do motor 2.0 a gasolina se soma à energia do motor elétrico por meio da transmissão automática.

Já a segunda embreagem fica posicionada atrás do motor elétrico e comanda o acoplamento com a transmissão, ajudando na eficiência e na facilidade de condução.

Outro ponto-chave do Wrangler 4xe é a instalação do pack de baterias sob a segunda fileira de bancos, dentro de um invólucro de alumínio e protegido contra elementos externos. Assim, com os bancos traseiros na posição vertical, o porta-malas mantém exatamente os mesmos 533 litros da versão a combustão.

Três modos de condução

O potencial do Jeep Wrangler 4xe pode ser aproveitado com três modos distintos: Híbrido, Elétrico e E-Save.

No modo híbrido, como o nome indica, o motor a gasolina trabalha em conjunto com os dois motores elétricos. Nesse modo, o sistema usa primeiro a energia da bateria e, quando a carga chega a um nível mínimo ou o motorista pede mais torque, o motor de 4 cilindros “acorda” e entra em ação.

No modo elétrico, o Wrangler 4xe se move apenas com eletricidade. Ainda assim, quando a bateria atinge o nível mínimo de carga ou há demanda por mais torque, o sistema liga imediatamente o motor 2.0 a gasolina.

Por fim, no modo E-Save, o motorista pode selecionar duas opções (pelo sistema Uconnect): Battery Save e Battery Charge. Na primeira, o conjunto dá prioridade ao motor a gasolina, preservando a carga para uso posterior. Na segunda, o sistema usa o motor a combustão interna para recarregar a bateria até 80%.

Em qualquer modo, é possível recuperar a energia cinética das desacelerações e frenagens por meio da frenagem regenerativa, que oferece um modo standard e a função Max Regen, ativada por um botão dedicado no console central.

Com essa função acionada, a regeneração passa a ter uma calibração mais forte e consegue gerar mais eletricidade para as baterias.

Ao volante: na cidade…

A expectativa de colocar as mãos no primeiro Wrangler eletrificado era grande - e, na prática, ele não decepcionou; pelo contrário. O trajeto preparado pela Jeep começou bem no centro de Turim e previa cerca de 100 quilômetros até Sauze d’Oulx, nas montanhas, já perto da fronteira com a França.

No caminho, rodamos alguns quilômetros em área urbana, usando o modo 100% elétrico, e cerca de 80 quilômetros em rodovia. E veio a primeira grande surpresa: um Wrangler que não faz barulho. Algo que muita gente jamais imaginou ver. Sinais dos tempos…

Sempre muito suave e silencioso, este Wrangler 4xe realmente reforça as credenciais urbanas do modelo - e isso foi algo que os responsáveis da Jeep fizeram questão de sublinhar durante a apresentação europeia. Ainda assim, continuamos falando de 4,88 m de comprimento, 1,89 m de largura e 2 383 kg. E esses números não desaparecem na prática, principalmente nas manobras e no dia a dia da cidade.

Em compensação, a posição de dirigir elevada e o para-brisa bem amplo garantem uma visão generosa do que acontece à frente. Para trás, como em qualquer Wrangler, a visibilidade não é das melhores.

Outra surpresa positiva foi o trabalho do sistema híbrido, que quase sempre atua sem chamar atenção. E isso é um grande elogio. O trem de força é, de fato, complexo, mas ao dirigir nada parece complicado: tudo acontece de forma… simples.

Se a ideia for explorar todo o desempenho disponível, o Wrangler responde com convicção e vai de 0 a 100 km/h em 6,4s - o bastante para constranger alguns carros com pretensões mais esportivas ao sair do semáforo.

Já se a vontade for apenas “apreciar as vistas” e seguir com calma no trânsito, o Wrangler 4xe muda de “chip” e assume um comportamento surpreendentemente civilizado, especialmente quando há bateria suficiente para rodar em modo 100% elétrico.

E a direção?

Os cerca de 400 kg extras em relação aos Wrangler a combustão aparecem ao volante, mas a verdade é que este modelo nunca foi referência de dinâmica no asfalto - sobretudo no Rubicon, que vem com pneus de uso misto mais agressivos.

Como em qualquer outro Wrangler, o 4xe pede movimentos de volante pouco bruscos e curvas mais abertas. A carroceria ainda inclina nas curvas e, se aumentarmos o ritmo - o que é muito fácil nesta versão… - isso fica evidente, embora esta variante tenha até uma distribuição de peso melhor, já que as baterias ficam sob os bancos traseiros.

Mas, sendo francos, este não é um carro pensado para “atacar” uma serra cheia de curvas (mesmo tendo evoluído bastante nesse aspecto ao longo dos anos).

E fora de estrada, continua a ser um… Wrangler?

É no off-road que o Wrangler realmente mostra seu valor e, apesar do ceticismo quando esta versão eletrificada foi anunciada, arrisco dizer que este é o Wrangler (de produção) mais competente que já vimos na Europa.

Não foi difícil entender o motivo. Para apresentar o Wrangler 4xe, a Jeep montou um trajeto desafiador - de cerca de 1 hora - que incluía a passagem por uma das pistas de esqui de Sauze d’Oulx, na região italiana do Piemonte.

Encaramos pontos com mais de 40 cm de lama, subidas rochosas bem inclinadas e até trechos sem acesso por estrada - e o Wrangler passou sem “suar”. E quer saber o melhor? Fizemos quase todo o percurso off-road em modo 100% elétrico. Sim, isso mesmo!

Os 245 Nm de torque do segundo motor elétrico - o único com função de tração - aparecem desde o instante em que se pisa no acelerador, o que muda completamente a experiência fora de estrada.

Se em um Wrangler convencional muitas vezes somos “obrigados” a acelerar para chegar ao torque necessário para vencer um obstáculo, aqui dá para manter a mesma velocidade, com muita tranquilidade.

E essa foi uma das maiores surpresas desta variante híbrida plug-in, capaz de rodar até 45 km (WLTP) em modo elétrico. Durante o percurso, também tivemos a chance de alternar entre o modo 4H AUTO (tração ativa permanente selecionável e tração integral em relações altas) e o 4L (tração integral em reduzida).

Vale lembrar que o Wrangler 4xe, na versão Rubicon, oferece relação de transmissão em baixa de 77,2:1 e traz o sistema de tração integral permanente Rock-Trac, que inclui caixa de transferência de duas velocidades com relação de 4:1 em baixa, eixos dianteiro e traseiro Dana 44 de última geração e bloqueio elétrico Tru-Lok em ambos os eixos.

Além das proteções inferiores, comuns a qualquer Wrangler Rubicon, o 4xe também recebeu vedação e impermeabilização de todos os componentes e sistemas eletrônicos de alta tensão, incluindo a ligação entre o pack de baterias e os motores elétricos.

E os consumos?

É verdade que fizemos quase todo o trecho off-road em modo Elétrico, mas até chegar lá, alternando entre Híbrido e E-Save, registramos médias abaixo de 4,0 l/100 km - um número realmente interessante para um “monstro” de quase 2,4 toneladas.

Por outro lado, quando a bateria acabou, o consumo passou de 12 l/100 km. Ainda assim, em nenhum momento nos esforçamos para “controlar” o consumo. O “poder de fogo” deste 4xe era surpreendente demais para não colocarmos isso à prova o tempo todo.

Preço

Já à venda no mercado português, o Jeep Wrangler 4xe parte de 74 800 euros na versão Sahara, que abre a linha desse Jeep eletrificado.

Logo acima, por 75 800 euros, aparece o Rubicon (a única versão que dirigimos nesta apresentação europeia), bem mais voltado ao fora de estrada. O topo de equipamentos é o 80th Anniversary, com preço inicial de 78 100 euros e, como o nome indica, presta homenagem aos 80 anos da marca norte-americana.

Especificações técnicas

Jeep Wrangler Rubicon 4xe
Motor a combustão
Arquitetura 4 cilindros em linha
Posicionamento Dianteiro longitudinal
Cilindrada 1995 cm³
Distribuição 4 válv./cil., 16 válvulas
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Potência 272 cv às 5250 rpm
Torque 400 Nm entre 3000-4500 rpm
Motores elétricos
Potência Motor 1: 46 kW (63 cv): Motor 2: 107 kW (145 cv)
Torque Motor 1: 53 Nm; Motor 2: 245 Nm
Rendimento máximo combinado
Potência máxima combinada 380 cv
Torque máximo combinado 637 Nm
Bateria
Química Íons de lítio
Capacidade 17,3 kWh
Potência de carga Corrente alternada (AC): 7,2 kW; Corrente contínua (DC): ND
Carregamento 7,4 kW (AC): 3h00min (0-100%)
Transmissão
Tração Nas 4 rodas
Câmbio Automático (conversor de torque) de 8 marchas
Dimensões e capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 4,882 m x 1,894 m x 1,901 m
Entre-eixos 3,008 m
Porta-malas 533 l (1910 l)
Tanque 65 l
Peso 2383 kg
Pneus 255/75 R17
Aptidões TT
Ângulos Ataque: 36,6º; Saída: 31,8º; Ventral: 21,4º;
Distância do solo 253 mm
Capacidade de vau 760 mm
Desempenho, consumo, emissões
Velocidade máxima 156 km/h
0-100 km/h 6,4s
Autonomia elétrica 45 km (WLTP)
Consumo misto 4,1 l/100 km
Emissões CO₂ 94 g/km

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